Exposição de arte ao ar livre: o grafite e as intervenções urbanas
- Flama Coletiva
- 9 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
Uma manifestação cultural carregada de críticas política e social e que ainda deixa a cidade mais colorida

Beco do Batman - travessa conhecida pelos grafites -, em São Paulo. Foto: Felipe Borges
A presença do grafite nos espaços de Florianópolis tem cerca de 30 anos. Mesmo não se tendo certeza sobre os objetivos iniciais, desde a Pré-história, com a arte rupestre, o homem explora representações artísticas em paredes, rochas e outros locais ao ar livre.
“É uma das formas de arte mais multiculturais e atuais que existem porque ela vai mudando e evoluindo de acordo com o que tá acontecendo no momento com o mundo”, é o que o artista do movimento hip-hop Matheus dos Santos, de 28 anos, acha sobre o grafite, arte que ele levou até para a parede da casa.
E o grafite e o hip hop estão intimamente ligados, pois o movimento hip hop é composto por quatro elementos: o(a) MC, o(a) DJ, o B-boy ou a B-girl e o grafiteiro(a). Sendo assim, em meados da década de 70, em Nova York, juntamente com o surgimento do movimento hip-hop, tem-se os primeiros registros da popularização da arte urbana - termo que se refere a manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, principalmente o grafite.

Plataforma 180TH Street, Bronx, Nova York. Fotojornalista: Matha Cooper
Mas, qual a diferença entre grafite e pichação?
Em vídeo, o grafiteiro Eduardo Kobra diz que a única semelhança entre os dois é o suporte, que são os muros. “A pichação vem da caligrafia, é outra ideia, uma ideia de protesto, de colocar o nome em vários lugares. O grafite, ele já tem uma coisa mais elaborado, desenhos mais complexos, coloridos, são formas diferenciadas que tem como principal base a cultura hip hop.
O grafite como é conhecido hoje, apesar de feito com spray na maioria das vezes, vem da palavra de origem italiana “graffiti”, plural de “graffito”, e quer dizer “escrita feita de carvão”. No, Brasil, mais precisamente em São Paulo, essa forma de arte urbana chegou já no final da década de 70, em uma época de Ditadura Militar.
Desde o surgimento, o grafite como arte urbana, está repleto de crítica social. Retrata, além da realidade das ruas, os contextos político, social e o cotidiano das cidades.

Artista Eduardo Kobra grafita mural em homenagem a vítimas do Covid-19. Foto: G1
Os principais nomes do grafite no Brasil são os paulistanos Eduardo Kobra, autor do mural acima, e Os Gêmeos - os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo - que fazem parte do elenco do documentário nacional Cidade Cinza (2014), que expõe as vivências e opiniões dos artistas e grafiteiros que tiveram obras apagadas pela prefeitura de São Paulo na época.

Artistas como esses já fizeram exposições e foram convidados para pintar nos maiores murais de arte urbana do mundo em países como o Canadá, França, Portugal, Estados Unidos, Suécia, entre inúmeros outros.
Otávio e Gustavo e um mural pintado por eles em Boston. Foto: @osgemeos
Em Florianópolis, o grafite chegou na década de 90 vem se popularizando cada vez mais. Ano passado, foi inaugurado na área externa do Palácio Cruz e Sousa, no centro de Florianópolis, um mural em homenagem ao poeta, de quase 900m², feito pelo artista e grafiteiro paulista Rodrigo Rizo, que mora em Florianópolis há mais de 20 anos.
Rizo já é uma figura conhecida de Floripa. Há cerca de 18 anos vem deixando nos muros, paredes, portões e em qualquer canto da cidade que haja um espaço um camaleão desenhado.
Confira mais do trabalho do artista Rodrigo Rizo em @artedorizo.











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