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Ideologia, estilo de vida e autoestima: o grafite além da lata de spray

  • Foto do escritor: Flama Coletiva
    Flama Coletiva
  • 15 de jun. de 2020
  • 3 min de leitura

No skate desde 1996, o manezinho Rodrigo Teodosio é um dos primeiros grafiteiros de Florianópolis

Rodrigo e o grafite “skate” feito por ele. Foto: @rodrigo.teodosio.90


Com mais de 20 anos no arte do grafite, Rodrigo Teodosio, de 37 anos, é conhecido por Mumu, mas também pode ser identificado pelas letras CSC, que marcam a assinatura dele nos muros e paredes pela cidade. “Eu assino CSC, que quer dizer Comando Skate Carianos, porque a gente era uma galera que andava de skate no mesmo bairro, Carianos, o do aeroporto, e a gente queria uma sigla pra representar a galera”, explica Rodrigo.


Grafite "CSC " feito por Mumu, no bairro Jardim Atlântico, em Floripa. Foto: @rodrigo.teodosio.90


O artista, que, em outros momentos, além de “CSC”, assina “skate”, começou a praticar o esporte em 1996 e em 1999 conheceu o grafite por meio de revistas. “Em 2000 eu comecei a fazer os meus primeiros trampos. Na época, em Floripa, não tinha lata, no caso o nosso material, que é o spray, não tinha pra vender, então era bem complicado de pintar. Eu comecei pintando no rolinho, tinta de parede, que chamam de látex, fiquei praticamente dois anos só pintando assim”, conta Mumu.


O grafiteiro ainda contou que em 2019, completou 20 anos de grafite. “Sou um dos primeiros de Floripa”, destaca, com orgulho. Orgulho esse que se explica principalmente quando o manezinho lembra de quando promoveu oficinas de grafite no município de Urubici, na serra catarinense, durante três meses. “Foi um aprendizado grande porque através do grafite, dar oficina em três colégios, em um lugar que nunca teve grafite, foi bem impactante. As crianças começaram a se abrir mais. E a arte em si ela começa a abrir a mente e o coração”, analisa o manezinho.

Sobre a intenção e o objetivo do grafite, o artista analisa que é importante para a cidade, principalmente, pra mudar o cotidiano por meio das cores e das formas. “Muita gente passa por onde a gente está pintando diariamente, olha, acha bonito, sem saber nem o que tá escrito, mas diz ‘ó tá lindo’, por conta da estética, chama muito a atenção, mesmo a pessoa não entendendo o que tá escrito”, lembra.


Rodrigo Teodosio sobre o grafite e a arte como companhia e inclusão para Flama Coletiva


“O grafite tem tudo a ver com a minha história, com o meu estilo de vida, com a minha autoestima, com a minha ideologia de querer estar presente ao lado das pessoas e poder, de uma maneira ou outra, passar algo bom. Então, acho que o grafite é a minha ferramenta e a minha terapia também”, declara Rodrigo.


O manezinho ainda aponta o impacto que o grafite causa no dia-a-dia corrido de uma pessoa comum - mesmo que ela não seja do meio da arte urbana. Ele cita o exemplo de um muro que um dia ao você passar está cinza e no outro dia ele está grafitado, colorido, cheio de formas e símbolos. “Isso mexe até com a autoestima da pessoa (..) A gente tem esse poder, de alimentar o dia a dia da correria do cotidiano através da arte”, conclui o grafiteiro.


Ao falar sobre o sentido do grafite, Mumu considera que o grafite não é do grafiteiro. “A gente vai lá, faz nosso trampo, vai embora e ele vai ficar ali. Então o grafite é da rua, do cotidiano”, explica. O artista ainda conta que tem grafites em Florianópolis feitos a mais de 13 anos, ao mesmo tempo, tem grafites que foram apagados em menos de 3 dias.


Mumu móvel, o Uno do grafiteiro Mumu. Foto: @rodrigo.teodosio.90

Parte da história de Rodrigo foi acompanhada pelo “Mumu móvel”, um Uno comprado em 2010 e parcelado em 60 vezes. “No segundo dia que eu estava com ele, fiz um grafite na lateral”, declara. O grafiteiro ficou com o carro por nove anos e trocou o grafite mais de 15 vezes. Alguns anos depois, teve que aposentar o carro por más condições. “Ano passado nós fizemos uma camiseta em homenagem a ele porque era um carro que entrava muito artista pra sair pra pintar, levava todo o material e era a nossa caixinha de som, então tem uma história grande aqui em Floripa, até os policiais conhecem o Uno”, brinca Mumu.






























Camiseta em homenagem ao Mumu móvel. Foto: @rodrigo.teodosio.90

 
 
 

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