Isolamento social e os impactos na saúde mental
- Flama Coletiva
- 2 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Não é tempo de ocupar, é tempo de refletir: qual a importância da cidade e dos espaços na manutenção da nossa saúde mental?

Batalha da Alfândega após revitalização do Largo. Foto: Victoria Morais
O isolamento social - ou distanciamento social - do qual vivemos nesse momento, além de nos limitar nas atividades profissionais, também nos privou de peças-chave na manutenção da nossa saúde mental: lazer, cultura e diversão. Pensando nisso, conversamos com a psicóloga Manuella Bahls a respeito dos possíveis impactos que essa nova forma de se relacionar com as pessoas e com os espaços pode trazer.

Segundo Manuella, ainda é muito cedo para sabermos ao certo quais são os impactos desta pandemia na nossa saúde mental, até porque estamos vivendo-a. Entretanto, a psicóloga lembra que alguns estudos relacionados à surtos ou epidemias anteriores, podem nos ajudar a melhor analisar o cenário atual. “Grande parte desses estudos indicam que os efeitos psicológicos na população em geral são negativos”, afirma.
Psicóloga Manuella Bahls
Ao ser questionada sobre a importância do contato com outra pessoas e com os espaços, Manuella destaca que o ser humano possui diversas necessidade evolutivas, dentre elas a previsibilidade e a socialização. Segundo a psicóloga, a previsibilidade é necessária por nos dar condições de planejar e encontrar as melhores soluções para um determinado problema. "E a sociabilidade é também uma característica evolutiva, pois desde os primórdios precisávamos estar em grupo para aumentar nossas chances de sobrevivência”, explica.
Manuella também aponta a importância do contato físico efetivo: “sem ele, perdemos muitos estímulos naturais como a ocitocina, o hormônio que vem em demonstrações de afeto como o abraço, o olhar amistoso, o aperto de mão”, exemplifica.
Sobre um possível aumento nos níveis de ansiedade da população, a psicóloga aponta que é um cenário possível. “Toda essa mudança repentina de rotina e a diminuição das relações interpessoais, quando associadas a este cenário de medo e incertezas, pode resultar em diversos transtornos psicológicos”, observa Manuella.
A psicóloga coloca que “com a quarentena, nossa capacidade de socialização foi comprometida pelo distanciamento social, e apesar de termos algumas formas de adaptar o contato e fazer com que a distância física não impeça a manutenção das nossas relações, a qualidade de vida e bem estar são prejudicados”. Manuella ilustra o momento que vivemos com o filme argentino “Medianeras” - cujos personagens principais vivem questões como a solidão dentro da cidade, a falta de contato com pessoas próximas (neste caso sendo resultado da correria da vida urbana) e os encontros virtuais como alternativas à todas essas ausências. “Interessante pensarmos que, aquilo que foi retratado em 2011, cada vez mais têm se tornado realidade nesta quarentena, onde a maior parte do nosso contato é mediado pela tela de um eletrônico”, interpreta.
Como sugestão para passar esses próximos meses de uma forma mais saudável, Manuella destaca que é fundamental manter o autocuidado. "Seguir uma dieta equilibrada, praticar alguma atividade física, manter relações por meios eletrônicos, reservar um tempo para coisas prazerosas, e principalmente, evitar o excesso de consumo de notícias relacionadas ao Coronavírus", propõe a psicóloga.



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