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Praças e parques: espaços que possibilitam lazer e acesso à cultura

  • Foto do escritor: Flama Coletiva
    Flama Coletiva
  • 18 de mai. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 18 de jun. de 2020

Capacitar esses locais é essencial para a população


Parque da luz em evento de dia da mulher, março de 2020. Foto: Victoria Morais


Nos centros urbanos, em meio ao concreto e o movimento urbano, os espaços públicos

preenchem a lacuna do lazer, transformando o dia a dia. Um dos grandes e mais antigos exemplos desses locais que influenciam diretamente no processo de sociabilidade são as praças e os parques, espalhados por todas as cidades do país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2015, 84,72% da população brasileira vive em áreas urbanas.


Florianópolis nos 675,4 km² de extensão, possui um total de 223 praças espalhadas entre a região continental, central, leste, sul e norte. Com um investimento de R$ 17,3 milhões de reais, em 2019, a prefeitura deu início ao projeto Praça Viva, que visa revitalizar 178 praças que necessitam de reparos espalhadas pela cidade. Na gestão anterior, outro projeto nomeado Viva a Praça, lançado pela prefeitura municipal, junto do IPUF, incentivou a adoção de praças e parques por parte da iniciativa privada com a intenção de recuperar 40 locais da cidade.


De acordo com o secretário Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Edi Pereira, a captação de recursos através das parcerias públicas e privadas para melhorar as praças atuais e até mesmo criar novos locais oferece diversos benefícios. Na avaliação do secretário, elas agregam valor às marcas como uma memória positiva, tiram do papel diversos projetos que não teriam orçamento ou não fariam parte do planejamento da cidade como as arenas de esporte de praia da Beira Mar Continental, do Morro do Mocotó, da Prainha e da Vila Aparecida. O relacionamento com essas empresas requer proximidade e o desafio é mostrar que as empresas podem fazer a diferença sem perder tempo em outro nicho que não é seu conhecimento direto.


Além disso, o secretário relata que algumas vezes as reformas são boas para a cidade e ruins para a oposição que propaga informações errôneas. “(...) A própria piscina da passarela Nego Quirido ficou 10 anos abandonada e conseguimos tirar do papel. A oposição gera informações falsas ao ministério público e a gente perde dias respondendo até arquivar diversas denúncias que são fracas”, afirma o secretário.


Projeto Passarela de férias. Foto: floripamanha.org


Dentro da extensão da cidade existem diversos parques que são referência tratando-se de ocupação e atividades diversas. Uma das atuais discussões na cidade, também na região do Córrego, é o risco de privatização por parte do Governo Federal do Parque Ecológico do Córrego Grande. De posse do Ibama, o maior parque urbano da cidade conta com 20 hectares de extensão e é cedido à Prefeitura de Florianópolis. Entretanto, a área está sem renovação de contrato a um ano e o Ibama reconhece a possibilidade de venda da área após um projeto de lei que autoriza o órgão a alienar os imóveis considerados desnecessários às atividades institucionais. A prefeitura e a comunidade estão mobilizando-se para evitar a venda do parque que enriquece a região com atividades de lazer, cultura, prática de esportes e educação ambiental que contemplam crianças, jovens, famílias e idosos.


O Parque da Luz passou por um processo de repovoamento nos últimos anos e junto da reforma da Ponte Hercílio Luz foi reestruturado, recebendo eventos, feiras e tornando-se um local frequentado nos últimos anos. O Curta o Parque é o exemplo de um deles, organizado pela Produtora Studio de Ideias e a Associação dos Amigos do Parque da Luz - AAPLUZ, o projeto cultural é feito por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Os recursos são captados junto a empresas pagadoras de ISS e IPTU na cidade que através do incentivo podem doar até 20% do valor devido dos impostos citados para apoiar um projeto cultural.


De acordo com a produtora cultural do Studio de Ideias Marina Tavares da Cunha Melo, ainda que Florianópolis seja uma cidade litorânea e possua atividades de lazer mais associadas com as praias, a ocupação em áreas verdes e espaços públicos nos últimos dois anos passou a ter mais força. Eventos que se preocupam em preservar essas áreas e levar atividades de qualidade para o público ativando regiões centrais e proporcionando a população um encontro com o próprio bairro estão acontecendo com mais frequência.


A iniciativa do Studio de Ideias, na visão da produtora cultural, é uma importante ação que faz com que as pessoas passem a conhecer mais a história do Parque da Luz. Além disso, faz com que o espaço seja ocupado com consciência, preservando a sua essência e promovendo assim a sua preservação para outras gerações. “Sentimos que a valorização do fazer em conjunto tem sua maior força e é dessa forma que realizamos nossas atividades”, afirma a produtora cultural. O evento Curta o Parque é focado na população e realiza atividades para todos. “Promovemos ações de arte e cultura através da música, teatro, oficinas de arte, yoga, contação de histórias”, comenta Marina.

Projeto Curta o Parque. Foto: Volo Filmes


Conhecido na década de 80 como Saco da Lama, o Parque de Coqueiros passou por transformações diretamente ligadas a lideranças da comunidade. A região lamacenta teve uma parte aterrada passou por um plano de ações através da Sociedade Amigos de Coqueiros. Hoje oferece uma infraestrutura para a população com uma pista de caminhada de 850 metros, duas quadras de futebol, uma quadra de vôlei, uma quadra de basquete, uma área de academia, além de largas faixas de grama que possibilitam interação entre diversas pessoas que realizam piqueniques, praticam esportes e contemplam a natureza do local.


Ponto de encontro que possibilita acesso a cultura e arte


As praças cumprem um papel fundamental pensando em acesso e desenvolvimento de lazer e cultura gratuito. Além da tradicional Praça XV, que conta com diversas programações itinerantes e é um ponto turístico tradicional da cidade, outros espaços são ocupados. Um dos exemplos disso é o projeto Cinema ao ar Livre realizado na Praça Berman, no Córrego Grande. Idealizado e realizado pela professora e instrutora de minicursos e oficinas de cinema Ally Collaço, em parceria com a Associação de Moradores do Jardim Albatroz, o projeto oferece sessões de cinema gratuitas para a comunidade. Com uma tela emprestada, um mini-projetor e o auxílio do marido e da filha de apenas quatro anos, a primeira edição foi em janeiro de 2019. “Apareceram cerca de 150 pessoas, resolvi ampliar pro ano inteiro e já fizemos 10 sessões, 1 por mês, sempre com filmes de classificação livre, voltados às famílias, um domingo por mês”, conta a professora.

Exibição do filme Toy Story na Praça Berman, no bairro Córrego Grande. Foto: Ally Collaço


Segundo Ally, existem opções de acesso a cultura na cidade, entretanto, questões como tempo, senso crítico, senso artístico e recursos financeiros muitas vezes distanciam a população desses projetos. “Capital cultural e valorização da cultura ainda são privilégios de quem teve acesso à educação de qualidade e desenvolvimento do senso crítico e artístico, não se pode negar”, defende.


Já outras regiões da cidade passaram por longo período de espera pelo processo de revitalização. A Praça Jacques Schweidson, localizada na Avenida Atlântica, no bairro Jardim Atlântico, recentemente foi contemplada pelo projeto Praça Viva. Entretanto, de acordo com a analista de software e moradora da região continental Cecília Klein, o local que frequentou na infância e era um espaço de lazer bem estruturado com quadra de futebol de areia, parque infantil e manutenção caiu no descaso e ficou abandonado por mais ou menos 10 anos. “Mal haviam bancos, lixeiras e calçadas. No último ano ele foi revitalizado da forma como era quando eu era criança. Mas estamos falando de aproximadamente 10 anos de um local abandonado,” afirma a analista de software.


Mais do que existir esses espaços, mantê-los ocupados e capacitados é essencial para atender as necessidades da população e ressignificar todos os cantos da cidade. Segurança, acessibilidade, infraestrutura como banheiros públicos, bicicletários e lixeiras são essenciais para possibilitar que essas áreas sejam utilizadas fortalecendo os laços comunitários e incorporando a população à cidade e a vida urbana.

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