Sk8forlife: embora Florianópolis tenha algumas pistas hoje, nem sempre foi essa a realidade
- Flama Coletiva
- 3 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
A história das dificuldade de existirem locais capacitados para a prática do esporte é antiga e a luta continua

Jovem usufruindo da pista de skate da beira-mar continental. Foto: Victoria Morais
As pistas públicas de skate em Florianópolis são construções recentes que desenvolvem e que fortaleceram a relação de lazer e esporte e reconstroem os espaços públicos. Com skatistas e patinadores de diversas idades esses locais são essenciais para a prática do esporte que cresceu muito no Brasil nos últimos anos.
A dificuldade de locais para andar de skate em Floripa é antiga. O documentário "Cuidado perigo!" produzido pelo ex-skatista profissional Rodrigo Jaca, junto de Gabriel Sandalo, Dimitri Sandalo e Junior Cachorro retrata a história de uma das pistas mais antigas do Brasil e a primeira pista da cidade, construída no final da década de 70 na sede campestre, do Clube 12 de Agosto em Jurerê Internacional. O local reuniu diversos skatistas que até então andavam pelas ruas da cidade e possuíam poucos locais destinados ao esporte.
Na década de 80, alguns skatistas transitaram por diversos espaços em busca de um local propício para andar de skate. Alguns halfs de madeira foram construídos pela cidade como half do Aterro que ficava localizado onde hoje é o Centro Sul, o Half do Santa Mônica que foi construído com a ajuda da skateshop Ativação e posteriormente transferido para o campus da UFSC, na Trindade, devido a grande reunião de pessoas no bairro. Após a transferência do half feito por skatistas da época a movimentação de diversas pessoas também aconteceu na Universidade o que fez com que a estrutura de madeira fosse queimada por pessoas da redondeza devido a aglomeração de pessoas. Depois disso, alguns anos se passaram sem locais próprios para andar.
De acordo com o tatuador e skatista Pedro Marques a realidade hoje é um pouco melhor com a construção de outros locais públicos para andar. Na década de 90, quando começou a praticar o esporte ainda eram poucos os locais públicos com pistas.
“O que havia era uma mini ramp no Sambaqui que já não existe mais, a mini ramp do bairro Coqueiros que atualmente encontra-se abandonada e a pista ao lado do estádio do Figueira. Não existia Costeira, Trindade, nem beira-mar do Estreito.”, lembra o skatista.
Mini ramp abandonada em Coqueiros. Foto: Victoria Morais
Um pouco mais tarde, Florianópolis passou a ter alguns locais edificados para prática do esporte e que reúnem diversos skatistas até hoje. A primeira pista da cidade a receber alto investimento e um grande campeonato mundial de skate na inauguração foi construída na Costeira do Pirajubaé em 2016. No mesmo ano, a pista plaza da beira-mar de São José foi reinaugurada após uma revitalização, reunindo skatistas, patinadores e bikers de muitos lugares. Alguns outros locais marcam o rolê do skate na cidade antes da Costeira. No Jardim Atlântico a pista conhecida como “pista da PC3” e a pista da Trindade popularmente conhecida como “Trinda Times” que também abriga batalhas de rap semanalmente são alguns desses locais.
Entretanto, muitas vezes as pistas contam com reparos feito pelos próprios skatistas. De acordo com o skatista que anda há 16 anos de skate Alan Zelindro a união da comunidade junto à ASGF - Associação dos Skatistas da Grande Florianópolis gera benefícios para esses locais. O skatista relata que a reforma comunitária feita na pista de skate do Jardim Atlântico foi essencial para que o esporte siga tendo vida nesses espaços que muitas vezes demoram a ser reparados pela prefeitura.
Alguns locais, ainda que construídos vivem uma outra questão. As obras, muitas vezes ao não serem executadas de forma correta, com o passar do tempo se deterioram por problemas de acabamento, ficando com poças d’água após dias de chuva como a recente obra realizada na Rodovia José Carlos Daux, no bairro Saco Grande. Em uma postagem pessoal feita no perfil do skatista, jornalista e ativista do esporte, Cesar Gyrão, podemos observar esse problema.
A gestão atual vem investindo em algumas construções relacionadas às pistas como a pista de skate do Rio Vermelho e a mini pista localizada na Beira Mar Continental, no bairro Estreito que foi concluída recentemente. Antes mesmo da obra ser acabada, já podia se observar skatistas de variadas idades usufruindo do espaço público em um local que até então, contava apenas com um parquinho infantil reforçando que é necessário mais e mais espaços públicos ocupados e capacitados.

Pista da beira-mar Continental ainda em obras. Foto: Victoria Morais
De acordo com o diretor técnico da Federação Catarinense de Skate e skatista há 38 anos, George Gonçalves, a prática de qualquer tipo de esporte ocupa as pessoas e gera interação com um novo universo relacionado ao esporte. Além disso, a criação e a participação das associações são essenciais para reivindicar espaços públicos capacitados e levar até a prefeitura projetos que atendam a necessidade dos skatistas.
George Gonçalves sobre a importância da participação dos skatistas nas associações para Flama Coletiva









Comentários